A reentrada do Reino de Marrocos na União Africana, que as agências internacionais estão a apontar como estando garantida depois do país magrebino ter confirmado, através de uma fonte anónima do governo de Rabat, que 42 países já se tinham colocado do seu lado para abrirem às portas da mais importante organização continental a este "membro" desavindo desde 1984.

A fonte diplomática marroquina avançou à AFP, por sua vez citada por outras agências, que o Gana confirmou nas últimas horas que está "incondicionalmente" do lado de Marrocos para este regresso, totalizando 42 países, em 54 que existem no continente, à UA.

Recorde-se que o abandono, há 33 anos, de Marrocos, deveu-se ao desacordo manifestado por Rabat à entrada na organização da RASD, Estado que Marrocos diz ter sido criado à margem da lei no "seu" território situado a Sul, no deserto do Sahara, junto à fronteira com a Mauritânia e o Atlântico.

Para além do regresso de Marrocos, a 28ª Cimeira da UA, na qual Angola está representada pelo Vice-presidente Manuel Vicente, em substituição de José Eduardo dos Santos, vai ainda ser marcada pela eleição do presidente da Comissão Africana bem como dos comissários que vão integrar este órgão executivo da UA, onde Angola disputa dois lugares com candidatos a comissários para a Agricultura e Economia Rural e para os Assuntos Políticos, Josefa Sacko, e Tete António, depois desta questão ter ficado por resolver na última Cimeira, realizada no Ruanda.

Durante as próximas 48 horas, os Chefes de Estado e de Governo africanos vão debater as questões mais relevantes do continente, tendo como referência a demografia e a juventude, tendo também em cima da mesa, como tem acontecido nas últimas cimeiras, a evolução da discussão em torno da livre circulação de pessoas, das migrações e as questões relacionadas com a democracia e as eleições, tema pressionado pela recente crise pós-eleitoral na Gâmbia, depois do seu ex-Presidente, Yahya Jammeh se ter recusado a abandonar o poder apesar de ter sido derrotado nas urnas.

As crises que atravessam o continente, especialmente no Sudão do Sul, como acontece sempre, vão estar igualmente em destaque, sendo essa uma das razões pelas quais o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, vai estar presente nesta Cimeira em Adis Abeba.