Segundo a oposição, o Executivo angolano deve controlar e legalizar estas casas para que funcionem de forma organizada, evitando actos de vandalização de bens públicos.
"As casas de pesagem são vistas como um destino para metais roubados, incentivando o furto de infra-estruturas públicas. Mesmo com denuncias, as autoridades competentes não tomam as medidas necessárias", disse ao Novo Jornal o nacionalista Ernesto Mulato, que afirmou mesmo que "muitas destas casas ilegais pertencerem altas figuras".
"Diariamente responsáveis em todas as províncias aparecem nos órgãos da comunicação social para denunciar vandalização de bens, mas não notamos medidas rigorosas para conter a prática", acrescentou o dirigente da UNITA, sublinhando que o seu partido tem condenado actos de vandalismo contra bens públicos e privados, considerando-os inaceitáveis e prejudiciais aos interesses do país.
"Temos o exemplo, o partido que governa não fiscaliza eficazmente o Executivo. O MPLA frequentemente bloqueia e limita a acção fiscalizadora da oposição. O MPLA está sem ideias para o desenvolvimento do país e deve já passar para a oposição em 2027", conclui.
Para o presidente da FNLA, Nimi-a-Nsimbi, as casas de pesagem de material ferroso, especialmente as ilegais, devem ser uma preocupação para o Governo, que as associa à vandalização de bens públicos (como cabos eléctricos, tampas de esgoto e sinalização).
"A Lei dos Crimes de Vandalismo de Bens e Serviços Públicos, aprovada em 2024, criminaliza a destruição e perturbação de serviços públicos, mas a vandalização de bens públicos soma e segue no país. O Executivo tem que agir urgentemente", aconselhou.
De acordo com o político, com a vandalização de bens públicos a ganhar o tereno no país a cada dia que passa, não se justifica o investimento que o Executivo faz em termos de infra-estruturas.
O secretário-geral do Bloco Democrático (BD), Muata Sebastião, disse que a vandalização de bens públicos é uma preocupação, porque afecta a economia e serviços essenciais.
"Não podemos esquecer que o fenómeno da vandalização de bens públicos, tem como causa a crise social que o país atravessa. Milhares de angolanos vão às ruas a procura de metais, plásticos, ferros para pesarem e sustentarem a vida", referiu, sublinhando que face à situação, o Governo deve ter um controlo destas casas para conferir a origem do material.
"É preocupante a quantidade de casos de danos em infra-estruturas de energia, água, transportes e telecomunicações prejudicando o bem-estar da população e o funcionamento das instituições", acrescentou.
Refira-se que a Lei dos Crimes de Vandalismo de Bens e Serviços Públicos prevê penas que variam de 5 a 10 anos para destruição de bens públicos, podendo chegar a 15 anos para a promoção de vandalismo, e até 25 anos se envolver infra-estruturas de transportes.

