João Lourenço, que falava na reunião inaugural de coordenação do Corredor do Lobito, organizada pelo Governo angolano e o Banco Mundial, realçou que o envolvimento dos Estados Unidos da América e de parceiros multilaterais e bilaterais, com realce para o Banco Mundial, reforça a credibilidade do projecto e evidencia o alinhamento político e institucional em torno da sua implementação.

"A reunião constitui um passo de consolidação, ao elevar a articulação entre os países a um patamar mais operativo, com harmonização regulamentar e de procedimentos, definição clara de metas, responsabilidades e estabelecimento de um sistema de acompanhamento regular", disse, defendendo a necessidade de se reforçar a coordenação institucional, harmonizar políticas e acelerar a facilitação do trânsito no âmbito do Corredor do Lobito.

"Precisamos alinhar prioridades, definir roteiros claros, estabelecer responsabilidades e criar mecanismos de acompanhamento que garantam impacto real, mensurável e duradouro", acrescentou, frisando que esta infra-estrutura, de conexão económica do continente, deve assumir-se como um verdadeiro motor de transformação económica e de integração regional.

O Presidente João Lourenço sublinhou que o projecto não se limita a infra-estruturas de transporte, devendo impulsionar o agronegócio, promover a transformação industrial, fortalecer cadeias de valor regionais e criar oportunidades económicas sustentáveis, com geração de empregos dignos, sobretudo para jovens e mulheres, para a melhoria efectiva da qualidade de vida das populações.

Referiu que, a 17 de Dezembro de 2025, foi assinado um financiamento global de 653 milhões de dólares norte-americanos para apoiar a realização e modernização do eixo ferroviário e das componentes logísticas associadas ao Corredor do Lobito, dos quais 553 milhões provenientes da Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos da América e 200 milhões do Banco de Desenvolvimento da África do Sul.

Sublinhou a importância de alinhar visões sobre governação, investimentos e mecanismos de facilitação, com destaque para a institucionalização da Agência de Facilitação do Corredor do Lobito, instrumento considerado essencial para assegurar maior eficiência e previsibilidade na gestão do corredor.

"A presença de altos membros dos governos dos três países que integram o corredor, demonstra a convergência de vontades e o compromisso comum com a consolidação de um projecto estruturante para a integração regional e o desenvolvimento sustentável", referiu.

O Governo, em parceria com o Banco Mundial, promove em Luanda, um encontro que marca o lançamento formal de um novo mecanismo de coordenação regional destinado a acelerar o desenvolvimento do Corredor do Lobito.

O evento reúne altas entidades governamentais de Angola, da República Democrática do Congo e da Zâmbia, bem como líderes de organizações multilaterais e bilaterais, instituições financeiras e parceiros internacionais de desenvolvimento.

A reunião visa alinhar prioridades estratégicas e reforçar a coordenação entre os três países africanos envolvidos e seus parceiros técnicos e financeiros, de modo a acelerar e tornar mais eficaz a implementação dos projectos estruturantes do corredor.

A agenda do encontro está centrada na aceleração de iniciativas em áreas consideradas vitais para o sucesso do projecto, nomeadamente o transporte ferroviário e a logística integrada, a facilitação do comércio e a modernização de infra-estruturas, a promoção da energia sustentável, bem como o desenvolvimento de cadeias de valor agrícolas e minerais.

Serão igualmente abordadas estratégias para impulsionar o desenvolvimento económico e social ao longo do corredor, com foco na criação de oportunidades económicas, geração de emprego e atracção de investimento privado para a região.