"Estão detidos, desde sábado, 29, cinco professores, todos da Escola Comparticipada `A Luz do Monte", situada nas imediações da Universidade Jean Piaget, no bairro do Capalanga, em Viana, e estão a ser indiciados nos crimes de negligência na mortes, por afogamento, de três estudantes menores", disse o superintendente Fernando de Carvalho, sem no entanto avançar mais pormenores.
Adão Jaime Camuco, director da referida escola, contou ao NJOnline que recebeu por escrito a solicitação dos professores para uma visita escolar ao Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda.
De acordo com o responsável da instituição "A Luz do Monte", os professores efectuaram um desvio no programa que haviam delineado e resolveram ir para a praia com as crianças.
"A direcção da escola sabia que a excursão era somente para o Memorial e mais nada. Não tivemos nenhum conhecimento da parte dos nossos professores que depois de terminarem a visita ao Memorial Dr. António Agostinho Neto, haviam de ir à praia da Ilha de Luanda com as crianças do colégio", explicou.
Adão Jaime Camuco diz ainda que os professores não tiveram o cuidado de controlar a ansiedade dos pequenos que pediram aos docentes para os conduzir à praia da Ilha de Luanda, enquanto esperavam pela chegada do transporte que haviam alugado.
"Eles saíram a pé do Memorial Agostinho Neto até à praia do Jango Veleiro, na Ilha de Luanda, onde comunicaram ao motorista do autocarro que estavam naquele local, mas isso só depois do acontecimento", contou o director.
Costa Bundu, pai do pequeno Geraldo Bundu, de 10 anos, cujo corpo ainda não foi encontrado, explicou ao NJOnline que apenas autorizou os três filhos que estudam na referida escola a visitarem o Memorial Dr. Agostinho Neto e não a irem à praia da como foi o caso.
"Apenas os meus filhos disseram que tinham um evento na escola que seria na Memorial e eu autorizei e dei 1000 kwanzas a cada um deles para o transporte conforme foi estipulado pelos professores", disse o progenitor, lamentando que, "dos três, apenas voltaram dois, porque o mais velho, de 10 anos, morreu afogado na presença dos irmãos que assistiram ao triste acontecimento".
"Mas que professores irresponsáveis são estes que levam crianças na praia?", Questiona-se a avô do menino de oito anos, cujo corpo foi encontrado na tarde de Domingo, no ponto final, na Ilha do Cabo.
Teresa Manuel conta que o seu neto apenas tenha autorização dos encarregados para ir com os colegas e os professores do colégio visitar o Memorial Dr. Agostinho Neto e não na praia.
"Não foi do conhecimento de nenhum encarregado que as crianças fossem à praia, o que nós sabíamos é que as crianças foram dispensadas para visitarem o Memorial. Queremos que se faça justiça, porque todos os pais e encarregados de educação apenas autorizaram visita ao Memorial e não à praia", salientou.
Recorde-se que na sexta-feira, 28, um grupo de 39 estudantes e seis professores, proveniente do município de Viana, no bairro Capalanga, efectuou uma visita ao Memorial Dr. António Agostinho Neto, e, depois, no término da visita, deslocaram-se até à praia do Ilha de Luanda.
Já na Ilha, as crianças decidiram entrar na água onde três delas acabaram por ser surpreendidas pelas ondas e foram arrastadas para o mar. Um dos professores, na tentativa de salvar as crianças, acabou por ser também vítima de afogamento.
Faustino Menguês, porta-voz do Serviço Nacional de Protecção Civil e Bombeiros, explicou ao NJOnline que a previsão para aquele dia era de ondas de 1,7 metros de altura, o que já representa uma situação que exige cuidados redobrados, havendo ainda a ocorrência de ventos fortes.
