Desde que a coligação israelo-americana lançou o ataque inicial da guerra ao Irão, no Sábado, 28 de Fevereiro, que os mercados petrolíferos vivem em constante frenesim, como o filme desta semana permite revisitar...

À medida que as explosões se sucedem desde segunda-feira, 02, quando os mercados abriram depois da guerra começar e o Irão encerrar o Estreito de Ormuz, que os gráficos vibram sem parar, com uma escalada de quase 15 dólares em apenas cinco dias...

E não parece que vá ficar por aqui, o que, como alguns analistas têm vindo a notar, pode ser uma faca de dois gumes para as contas da economia angolana, visto que se o barril de Brent, a referência para as exportações nacionais, sobe, crescem os rendimentos, mas também as despesas...

Isto, porque Angola ainda importa uma parte substantiva dos combustíveis que queima, pelo menos até que as refinarias do Soyo, Cabinda e Lobito comecem a operar, e estes também aumentam com o custo crescente do barril...

Além disso, Angola é ainda um grande importador de bens como alimentos e maquinaria e estes observam igual comportamento, ficando mais caros devido ao crescente custo do transporte e mesmo na origem, onde a sua produção depende das energias fósseis.

Mas, para já, facto é que mais vale um pássaro na mão que o barril a descer em vez de subir, o que está a acontecer de forma significativa e pode mesmo chegar já nesta sexta-feira, 06, aos 90 USD, porque o dia ainda vai a meio, 12:00 em Luanda e o Brent estava a valer 87 USD, valorizando cerca de 1,9% face ao fecho de quinta-feira.

Isto, quando se agrava a situação no Médio Oriente, com a ameaça norte-americana de iniciar operações terrestres no Irão, não ainda com as suas tropas mas através da mobilização pela CIA das milícias curdas do Iraque para desestabilizar o regime iraniano.

O que acontece porque, ao contrário do que Washington e Telavive chegaram a admitir, não apenas o Irão resiste, o Governo não caiu com a morte do Líder Supremo, Ali Khamenei, e dezenas de chefes militares de topo, logo no Sábado, como mantém uma surpreendente capacidade de disparar sucessivas vagas de misseis e drones contra Israel e as bases dos EUA na região.

Ao mesmo tempo que os petroEstados do Golfo Pérsico, como a Arábia Saudita, o maior exportador de crude do mundo, ou o Catar, o maior exportador de gás do Planeta, mas também o Kuwait ou os EAU, fecharam, total ou parcialmente, a sua produção...

Tal está a suceder devido aos drones iranianos que explodem na infra-estrutura energética da região, mesmo que Teerão assinale que não são esses os seus alvos, havendo ainda (ver links em baixo) suspeitas de operações de falsa bandeira, e, ainda mais relevante, porque o Estreito de Hormuz, por onde passa 20% do gás e do crude mundiais, permanece fechado.

E com a estreita passagem marítima entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico encerrado pela Guarda Revolucionária do Irão (IRGC), com as reservas a caírem a pique nas grandes economias nos próximos dias, a próxima semana, se neste fim-de-semana não se verificar uma desescalada, poderá ser onde verdadeiramente os gráficos dos mercados enlouquecem de vez.

Citado pela Reuters, a partir do Financial Times, o ministro da Energia do Catar anuncia que os produtores do Golfo devem fechar todas as torneiras em breve, o que Saad Sherida al-Kaabi antecipa poder atirar o barril para os 150 USD ou além disso.

E os analistas começam a despertar para um fenómeno conhecido, mas raramente visto, que é a exponencialidade descontrolada a partir do momento em que estas perspectivas de crise começarem efectivamente a ser sentidas, seja na escassez de crude nas refinarias das grandes economias, seja o esvaziamento dos reservatórios de gás na Europa...

Esse momento poderá lançar os mercados numa espiral em que a barreira dos 200 USD, como analistas das grandes casas financeiras, como a JP Morgan ou Goldman Sachs chegaram a admitir no caso da guerra na Ucrânia, onde o problema era sério mas longe das consequências que esta guerra no Médio Oriente pode ter na economia global...