Na reunião do Comité de Política Monetária (CPM), o Banco Nacional de Angola (BNA) decidiu reduzir a taxa BNA de 18,5% para 17,5%, reduzir a taxa de juro da facilidade permanente de cedência de liquidez de 19,5para 18,5%, e manter a taxa de juro da facilidade permanente de absorção de liquidez em 16,5%.

A decisão sobre as taxas de juro de política justifica-se, segundo o banco central, pela desaceleração consistente da inflação, que em Dezembro superou o objectivo definido para 2025, bem como pela perspectiva de manutenção desta tendência nos próximos meses.

A taxa de inflação no final de 2025 fixou-se em 15,70%, reflectindo uma redução significativa, face aos 27,50% registados em 2024, destaca o BNA, acrescentando que a redução da inflação resultou, essencialmente, do aumento da oferta de produtos de amplo consumo, da melhoria das condições monetárias, reflectida no controlo da liquidez em circulação e na sua adequação à actividade económica, assim como da estabilidade cambial observada ao longo do ano.

A classe de alimentação e bebidas não alcoólicas registou uma variação de 16,15% comparativamente aos 30,47% observados em 2024, reflectindo uma redução de 14,32 pontos percentuais. Apesar desta diminuição, a classe em referência continuou a ter a maior contribuição na inflação total, com 9,78 pontos percentuais (62,30%), recorda o BNA.

No que respeita ao comportamento dos preços por províncias, o destaque recai para Luanda, onde a taxa de inflação homóloga se fixou em 14,20%, face aos 32,18% observados em 2024. Destacam-se, igualmente, a província do Huambo (13,60%), as províncias do Cubango e Cuando (14,06%), assim como as províncias do Zaire (14,33%) e Cunene (14,67%).

O produto Interno Bruto, de acordo com as estatísticas das contas nacionais, divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), referentes ao terceiro trimestre de 2025, apresentou um crescimento acumulado de 2,15%, impulsionado pela expansão da actividade económica não petrolífera, com destaque para o crescimento da indústria transformadora (7,22%), agropecuária e silvicultura (3,33%) e comércio (6,29%), salienta o banco central.

Nesta perspectiva, o BNA estima um crescimento do PIB em 2025 de 2,6%, destacando a contribuição positiva do sector não petrolífero, com uma taxa de crescimento de 4,3%, ao passo que o sector petrolífero terá contraído 4,6%.

Relativamente às condições monetárias, a Base Monetária em moeda nacional expandiu 3,77% em 2025, influenciada pelo crescimento observado em Dezembro, na ordem de 5,36%, diz o BNA, ressaltando que o agregado monetário M2, em moeda nacional, cresceu 15,89% em termos acumulados, em linha com o aumento do nível geral de preços.

O stock de crédito à economia, em moeda nacional, atingiu 7,37 biliões de kwanzas em Dezembro de 2025, representando uma expansão acumulada de 22,55%, ou seja, 1,36 biliões de kwanzas em termos absolutos face ao stock observado em Dezembro de 2024, refere o BNA no comunicado.

Sobre o mercado cambial primário, o BNA destaca que a oferta regular de divisas (vendas das companhias petrolíferas, diamantíferas e de clientes diversos) aos bancos registou um aumento de 23,0%, passando de 7 895,84 milhões de dólares dos Estados Unidos para 9 689,54 milhões de dólares dos Estados Unidos, o que contribuiu para a estabilidade da taxa de câmbio.

Adicionalmente, a oferta de divisas foi complementada pelas vendas pontuais do Tesouro Nacional e do BNA no valor de 1 824,48 milhões de dólares dos Estados Unidos e 489,04 milhões de dólares, respectivamente, totalizando uma oferta global de 12 003,06 milhões de dólares em 2025, afirma o banco central.

No sector externo, o saldo da conta de bens atingiu 14 014,68 milhões de dólares, face aos 22 604,80 milhões de dólares do período homólogo de 2024, representando uma redução de 38,0%, ou seja, 8 590,11 milhões de dólares dos Estados Unidos, em termos absolutos.

A diminuição do saldo superavitário da conta de bens resultou do decréscimo do valor das exportações em 19,14%, ou seja, 7 043,95 milhões de dólares dos Estados Unidos em termos absolutos, e do aumento do valor das importações em 10,90%, correspondente a um acréscimo de 1 546,17 milhões de dólares dos Estados Unidos.

O stock das Reservas Internacionais fixou-se em 15 903,69 milhões de dólares dos Estados Unidos, face aos 15 767,56 milhões de dólares dos Estados Unidos registados no ano anterior, o que corresponde a um aumento de 136,13 milhões de dólares. Este nível das reservas internacionais representa um grau de cobertura de 7,6 meses de importação de bens e serviços.