Com esta reunião do CS das Nações Unidas a decorrer ainda esta quinta-feira, marcada já depois de o Presidente norte-americano ter alimentado a ideia de que um ataque ao regime iraniano estaria iminente caso o regime iraniano não travasse as mortes de manifestantes, Donald Trump veio dizer publicamente que as mortes pararam em Teerão.

E o mundo, apesar da volatilidade bem conhecida das posições do Presidente dos EUA, respirou de algum alívio já na manhã de hoje, porque chegou a ser dado como certo que Trump daria a ordem de ataque ao longo da madrugada, o que levou mesmo o Irão a encerrar o seu espaço aéreo e a ordenar a prontidão de resposta do seu gigantesco arsenal militar de resposta.

Resposta que tanto o Presidente Masoud Pezeshkian, como o líder supremo, o aiatola Ali Khamenei, como o chefe da diplomacia de Teerão, Abbas Araghchi, se desmultiplicaram em declarações a garantir que seria célere e devastadora.

Devastadora porque faria recurso ao potencial total dos complexos sistemas de misseis de que o país dispõe, com destaque para os avançados mísseis hipersónicos, os Fattah (na foto), que em Junho de 2025, na "Guerra dos 12 dias", foram usados para atacar com sucesso Israel (ver links em baixo), anulando a sua famosa e até ai vista como inexpugnável "Cúpula de Ferro" e que agora seriam destinados, além de Telavive, às dezenas de bases dos EUA no Médio Oriente.

Embora a justificação para a redução da tensão tenha sido, nas palavras de Donald Trump, o regime iraniano travar os enforcamentos dos manifestantes, agentes da Mossad, da CIA e do MI6 britânico, como os vê Teerão, que foram detidos ao longo dos 10 dias de intensos protestos populares (ver links em baixo), a verdade, segundo vários analistas, é que os EUA mudaram de estratégia à última da hora por razões ainda por perceber.

Mas é certo que se as defesas extraordinárias e consideradas comummente como inexpugnáveis, de Israel soçobraram face aos ataques hipersónicos iranianos em junho de 2025, as bases norte-americanas, com dezenas de milhares de militares, bem como os seus navios estacionados no Mediterrâneo e nas imediações do Golfo Pérsico, estão ainda mais vulneráveis.

E é neste contexto que o Conselho de Segurança das Nações Unidas se vai reunir esta quinta-feira para "uma reunião informativa sobre a situação no Irão", anunciou um porta-voz.

A reunião do grupo de 15 países está marcada para as 15:00 de Nova Iorque (23:00 em Luanda), segundo um comunicado do porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres.

O porta-voz do português, Stéphane Dujarric, reiterou na quarta-feira, em conferência de imprensa, que a ONU "está extremamente preocupada" com "as imagens que surgem de manifestantes mortos pela violência durante os protestos".

Irão reabre espaço aéreo após quase cinco horas de encerramento

Entretanto, como avança a Lusa, o Governo do Irão reabriu esta quinta-feira, 15, o espaço aéreo após uma suspensão de cerca de cinco horas, segundo a página de rastreio de voos Flightradar24, face a ameaças de um ataque dos Estados Unidos.

Segundo este portal, o aviso ao pessoal da aviação expirou e alguns voos retomaram as rotas para Teerão após o encerramento do espaço aéreo que obrigou as companhias aéreas a cancelar, desviar ou atrasar voos.

As principais companhias aéreas da Índia, lideradas pela Air India e pela IndiGo, foram forçadas a cancelar voos e a redireccionar ligações internacionais devido ao encerramento do espaço aéreo do Irão.

"Tendo em conta a segurança dos nossos passageiros, os voos da Air India que sobrevoam a região estão a utilizar rotas alternativas, o que poderá provocar atrasos", informou a companhia aérea, em comunicado, na rede social X.

Outras companhias aéreas também confirmaram alterações nos seus serviços internacionais, activando protocolos de reembolso e remarcação para os clientes afectados numa situação que descreveram como "fora do seu controlo".

O Governo da Índia emitiu um alerta na quarta-feira, aconselhando os cidadãos indianos a abandonar o Irão e a evitar viajar para o país "até novas ordens".

"Temos o controlo total" da situação, diz ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão

As autoridades iranianas têm o "controlo total" da situação, afirmou nesta quarta-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, numa entrevista à Fox News, citada pela Lusa, após mais de duas semanas de manifestações severamente reprimidas no país.

"A partir de agora (...) reina a calma. Temos o controlo total" da situação, disse o chefe da diplomacia iraniana à cadeia americana, segundo excertos de uma entrevista gravada nesta quarta-feira.

O Reino Unido anunciou que "fechou temporariamente" a sua embaixada no Irão, segundo informou o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico.

"Fechámos temporariamente a embaixada britânica em Teerão, que passará a funcionar à distância", declarou um porta-voz do Foreign Office, segundo a agência de notícias francesa, AFP, precisando que os conselhos aos viajantes foram "atualizados para refletir esta alteração consular".

O Irão está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de 100 cidades do país.