Um subsistema de Educação Artística autonomizado do subsistema Técnico-profissional é a única garantia que temos para, por um lado, não adiarmos por mais tempo o sonho de um dia termos agrupamentos e artistas de excelência e, por outro, continuarmos a ser ultrapassados por países africanos como a Nigéria e a África do Sul que já têm nos seus subsistemas educativos subsistemas de educação artística.
A Educação Artística compreende a Educação Artística Genérica e o Ensino Artístico Especializado nos níveis elementar vocacional, médio profissional e superior.
Se não for este o percurso a seguir, como e onde enquadrar uma criança ou jovem que queira estudar e formar-se em Música ou Dança? O Ensino Técnico-profissional poderá algum dia formar um adulto em Dança sem que o seu corpo tenha antes passado pelo necessário e indispensável adestramento físico e elementar?
Actualmente e passados 48 anos da abertura das primeiras Escolas de formação artística em Angola, além de não se ter conseguido implementar o Nível Elementar em nenhuma das áreas de formação artística, também não possuímos um Ensino Médio de qualidade, continuando a insistir-se na adequação do modelo de um único Instituto para todas as áreas artísticas, de acordo com o determinado pelo subsistema de Ensino Técnico-profissional.
Entre 2010 e 2015 o Executivo construiu, no Kamama, infra-estruturas para a melhoria e a acção das Escolas de Arte. Entretanto, as quatro Escolas Nacionais deixaram de existir como tais, tendo sido reduzidas à condição de quatro Áreas de um designado Instituto Médio de Artes. Não se teve em conta que, no domínio das Artes, cada Área contém os seus Ramos de Formação; que cada Ramo tem os seus Cursos; e cada Curso as suas Especialidades numa complexidade que requer docentes, condições artísticas e técnicas, bem como dinâmicas de formação específicas e inerentes à cada uma das áreas.
Entretanto, ao abrigo do Decreto Executivo Conjunto n.º 344/18, de 14 de Setembro, dos Ministérios da Administração do Território e Reforma do Estado, da Educação e da Cultura, foi criado o Instituto Politécnico de Arte (CEARTE). Não nos parece funcional que um Instituto Politécnico abarque todas as áreas artísticas pelas razões já acima aduzidas.
A situação da Educação Artística em Angola, já de si incipiente, ensombrou-se com a extinção do Instituto Superior de Arte.
Reiteramos que, sem um subsistema de Educação Artística autonomizado do subsistema de Ensino Técnico-profissional, o nosso nível artístico continuará a ser muito baixo e, na maioria dos casos, inexistente. Nunca alcançaremos o nível artístico da imortal Alícia Alonso, lendária bailarina e coreógrafa cubana, de um Maurice Béjart, exímio dançarino e coreógrafo francês, do icónico Ballett Bolshoi, da antiga URSS e da fabulosa Alvin Alley American Dance Theatre, fundada em 1958. De África bastaria recordar, como experiências positivas, o Ballett do Senegal, o Ballett da Guiné Conacry, e, em particular da África do Sul, o seu Ballett e a Orquestra de Cordas de Bochabela.
Pode perguntar-se como explicar que haja no mundo grandes artistas que nunca tenham passado por escolas de arte. Nós respondemos dizendo que tais artistas- em número reduzido- são génios. Felizmente, os génios não surgem assim tão facilmente como cogumelos. Os génios são raros e transcendentes.
Educação Artística em Angola
É uma questão conceptual e, em certa medida, ontológica a que aqui vimos tratar. A actual Lei de Bases de Educação e Ensino contém uma lacuna que carece de ser suprida. Referimo-nos a não inclusão nessa Lei de um subsistema de Educação Artística por ser específico e transversal a todos os subsistemas de ensino.

