... terminará, às 02:00, hora de Luanda, na quinta-feira, 23, o cessar-fogo de dez dias anunciado a 12 de Abril sem que as duas partes tenham chegado a um entendimento para parar o conflito...
... e, se o Presidente norte-americano der seguimento à sua ameaça de "bombardear o Irão até não restar uma ponte e uma central eléctrica em pé", então é já claro que esta fase da guerra será muito mais violenta e destruidora...
... porque o Irão, através do seu comando militar central, já avisou que está à espera dos ataques da coligação israelo-americana e tem "novas cartas" preparadas para jogar na mesa de póquer em que Donald Trump transformou este conflito.
Com efeito, entre a maior parte dos analistas, como, por exemplo, Jacques Baud, antigo coronel da intelligentsia suíça e da NATO e autor de diversos livros sobre conflitos no Médio Oriente, ou mesmo o major-general Agostinho Costa, a guerra é a continuação natural desta fase em que não se percebe muito o que pretendem os EUA.
Mas o tiro inicial pode tardar a acontecer visto que, acrescentam estes e outros analistas com lastro militar no currículo, como Dougçlas MacGregor, coronel na reforma dos EUA, antigo conselheiro da Administração Trump no primeiro mandato e com múltiplas missões nas guerras do Iraque e do Afeganistão, os EUA precisam de mais tempo para se rearmarem.
É que nas primeiras seis semanas de guerra, tanto as forças norte-americanas como israelitas foram surpreendidas pela capacidade de resistência do Irão, para a qual muitos tinham chamado a atenção sobre a falha de intelligentsia do Pentagono, e as suas munições, tanto de ataque - Tomahawk e JASSM - como de defesa anti-aérea - Patriot e THAAD - foram gastos sem reposição imediata.
"Essa a razão pela qual o Presidente Trump pediu um cessar-fogo de 45 dias e o Irão recusou, tendo aceitado tréguas de 10 dias porque nesse período os EUA não conseguem reabastecer e rearmar-se tanto em terra como no mar", explicou Jacques Baud em vários podcasts.
Agostinho Costa é outros dos analistas que defendem ser a guerra a fase seguinte desta paragem e não um acordo duradouro, porque a deslocação de meios em equipamento e soldados para a região, quase sem interrupção nas últimas semanas, denuncia as intenções norte-americanas de avançar mesmo para uma nova fase da guerra e, provavelmente, para uma invasão terrestre, como apontou este especialista ao Novo Jornal.
Como está a ser mostrado quase diariamente por páginas nas redes sociais dedicadas a estes temas, como a "Correspondente de Guerra", os EUA têm uma ponte aérea em curso de aviões de transporte como o maior de todos, o Lockheed C-5M Super Galaxy, ou o outro gigante dos ares, o McDonnell Douglas C-17 Globemaster III, que só pode ter como justificação estar a ser preparada uma outra e ainda de maior envergadura fase da guerra israelo-americana contra o Irão.
Há, porém, uma outra possibilidade, menos óbvia, e até estranha, que seria todo este equipamento e meios humanos estar a ser deslocado para o Médio Oriente como forma de pressão de Washington para levar o Irão a aceitar as condições maximalistas de Trump para um acordo de paz.
Se for esse o objectivo, então a resposta do Irão não podia ser mais clara de que o "bluff" não está a funcionar porque Teerão, como o seu comando militar conjunto já avisou, "tem novas cartas para usar" no póquer de guerra dos norte-americanos, prometendo uma "jogada" devastadora para os EUA e para os seus aliados na região, seja Israel, seja os países do Golfo: Arábia Saudita, Kuwait, Catar, Barhein, Emiratos Árabes Unidos...
Donald Trump tem feito e refeito por diversas vezes as suas exigências para deixar de atacar o Irão, desde a mudança de regime, acabar com o seu programa nuclear, desmantelar o seus seis sistemas de misseis e proibir que Teerão se relacione com os seus aliados regionais, Houtihis, no Iémen, e, entre outros, Hezbollah, no Líbano.
Hoje, no que é possível perceber através das últimas publicações na sua rede social Truth Social, os EUA exigem "apenas" que o Irão aceite limitar quase a zero o seu programa nuclear e que abra sem restrições o Estreito der Ormuz, o que, de facto, parecem ser condições aceitáveis para o Irão, que tem repetido não querer ter bombas atómicas e que Ormuz estava aberto antes deste conflito.
O que para o Irão é agora excessivo, visto que, como país atacado sem justificação por americanos e israelitas, exige reparações de guerra, o que entende só ser possível taxando as passagens pelo Estreito de Ormuz, em média 2 milhões USD por navio, pagos em moeda chinesa, Yuan, e não abdica do direito soberano de enriquecer urânio para fins civis, como, de resto, fazem dezenas de países em todo o mundo e os tratados internacionais permitem.
Além disso, sabe-se que o Irão impõe como condição ainda o levantamento das sanções a que está sujeito há décadas e a libertação de mais de 10 mil milhões USD congelados em bancos no estrangeiro.
Além disso, Teerão acusa os EUA de estarem já a ferir o cessar-fogo ao manterem o bloqueio naval ao Irão há quase semana e meia, e depois de terem ataco um navio de contentores iraniano no Golfo de Omã, a mais de 100 kms do Estreito de Ormuz, que tem sido o ponto focal desta crise porque é por ali que escoa 20% do crude e do gás que alimentam a economia mundial, além de compostos vitais para fertilizantes que começam a faltar em todo o mundo elevando o risco de fome generalizada.
E se não acontecer um acordo de paz e a guerra emergir como solução única, sabe-se que além do Estreito de Ormuz, também o de Bab al-Mandab, entre o Mar Vermelho/Canal do Suez e o Oceano Índico, por onde passa 15% do comércio geral global, será novamente encerrado pelos Houthis do Iémen.
O que alargará ainda mais aquela que a Agência Internacional de Energia (AIE) já considera a maior crise energética de sempre, como a ela se referiu o seu director-geral Fatih Birol, aludindo à crise que junta o Médio Oriente e a guerra na Ucrânia e as sanções à energia russa concomitantes podendo criar um cenário global insustentável, incluindo os EUA, onde Trump pode estar á beira do precipício eleitoral nas intercalares de Novembro.










