Este gesto sem paralelo da história recente, gerou uma onde global de protestos e críticas, com vários países, como Espanha, a chamarem os seus embaixadores em Israel para consultas, o que em linguagem diplomática significa um contexto de forte reprovação.

Perante tamanha vaga de reprovação, Benjamin Netanyhau, viu-se obrigado a revogar a proibição de entrada no Santo Sepulcro à mais alta autoridade católica da Terra Santa, o Patriarca Latino, Cardeal Pierbattista Pizzaballa, afirmando que pode "realizar serviços religiosos como desejar".

"Instruí as autoridades competentes para concederem ao Cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino, acesso total e imediato à Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém", disse Benjamin Netanyahu, num comunicado.

Recorde-se que os locais sagrados de Jerusalém, onde as três religiões do Livro, cristão, judeus e muçulmanos, se sentem em "casa", têm sido palco de confrontações históricas ao longo dos séculos.

Mais recentemente, tais ocorrências são, geralmente, provocadas pela ocupação israelita e criadas, por exemplo, com incursões de governantes do país à Mesquita de Al Aqsa, o terceiro local mais sagrado do Islão, após Meca e Medina, associado à Viagem Noturna do Profeta Maomé, e vistas como ofensivas pelos muçulmanos.

Desta feita, Israel virou-se para os cristãos, num cenário em que a polícia israelita impediu o patriarca de aceder à Igreja do Santo Sepulcro para celebrar a missa de Domingo de Ramos, celebração católica que se realiza uma semana antes do domingo de Páscoa, e celebra a entrada de Jesus em Jerusalém.

Israel justificou esta medida com questões der segurança no contexto do conflito iniciado pela coligação israelo-americana contra o Irão em 28 de Fevereiro, que levou Teerão a ripostar com sucessivas vagas de misseis, incluindo sobre Israel, com alguns destes a caírem nas proximidades da cidade, nalguns casos destroços de projécteis iranianos abatidos pela defesa israelitas.

A decisão de impedir a celebração religiosa cristã foi tomada apesar de Pizzaballa ter respeitado as restrições de segurança que limitam os aglomerados a 50 pessoas devido à guerra com o Irão.

"É verdade que a polícia tinha dito que as ordens do comando interno impediam qualquer tipo de reunião em locais sem abrigo, mas não tínhamos solicitado nada público, apenas uma breve e pequena cerimónia privada para preservar a ideia da celebração no Santo Sepulcro", explicou o clérigo, em declarações transmitidas pela emissora italiana TV2000.

O cardeal também deixou claro que o incidente ocorreu "sem confrontos" e que foi tratado de forma educada.

"Não houve confrontos, tudo decorreu de forma muito cortês", acrescentou.

Além disso, Pizzaballa indicou que compreende que se deva garantir a segurança em plena guerra, mas também a oração face à celebração da Semana Santa.

O Patriarca Latino de Jerusalém afirmou que pretende aproveitar o impedimento de que foi alvo para que se preserve o direito à oração, "respeitando a segurança de todos".

Benjamin Netanyahu assegurou que as forças de segurança israelitas estavam a "elaborar um plano para que os líderes eclesiásticos possam celebrar os seus cultos no local sagrado durante os próximos dias".

Segundo o governante israelita, o Irão tem atacado "repetidamente" os locais sagrados das três religiões monoteístas, numa referência à queda de destroços da interceção de um míssil no bairro judeu, a apenas 400 metros da Esplanada das Mesquitas ou do Muro das Lamentações.

Não há indícios, até ao momento, de que estes locais (entre os quais a Esplanada das Mesquitas, o terceiro local mais sagrado do Islão) fossem o alvo específico dos mísseis disparados pelo Irão.

Autoridades de países como Itália, França, Espanha, Brasil e até mesmo Estados Unidos manifestaram rejeição à decisão israelita.