Donald Trump, que, pela análise cuidada do que escreveu esta segunda-feira, 30, na sua rede social Truth Social, permite perceber que não tem um plano "b" para sair de cena, diz que decorrem "discussões sérias" com o Irão, defendendo que o país tem agora "um novo e mais razoável regime".
Sem que nada demonstre que o regime é outro, embora, devido aos assassinatos da coligação israelo-americana, muitos dos seus líderes tenham sido substituídos no último mês, e, nalguns cargos, por duas vezes, Trump acredita que sim e avança com essa sua certeza para anunciar o "fim das operações militares" naquele país.
Estes anúncios foram feitos na sua publicação na Truth Social, mas, quase em simultâneo, era dada a conhecer uma entrevista ao Finacial Times, onde Trump admite que quer dominar o petróleo iraniano.
Ainda, que está a pensar em tomar a Ilha Kharg, onde passam 80% das exportações de crude do Irão e que está de olho no urânio enriquecido que o país possa ter, uma quantidade estimada entre 400 e 500 quilos, pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).
Além disso, entre o "post" na sua rede social e a entrevista ao jornal britânico, Trump foi deixando ameaças contra o Irão se "não abrir imediatamente" o Estreito de Ormuz, a estratégica passagem entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico, por onde flui 20% do petróleo e do gás, entre outras matérias-primas vitais para a economia global.
Entre essas ameaças, que contradizem a ideia de um fim acelerado para este conflito que já está na sua 4ª semana e com um impacto generalizado na economia planetária, desde log0o com aumentos de mais de 50% no gás (LNG) e quase 20% no crude... além de uma inflação em expansão em volume e geografia, está a destruição das centrais de dessalinização de água do mar iranianas, das quais o país depende em pouco mais de 5%.
Mas na lista da destruição, Trump colocou ainda todos os campos petrolíferos e de gás iranianos, insistindo na ideia nunca explicada e demonstrada de que o Irão está a pagar por décadas de assassinato de militares e civis norte-americanos.
Isto, quando, só neste mês, morreram mais de 2 mil iranianos sob as bombas israelo-americanas, incluindo as 175 crianças numa escola primária de Minab, no sul do país, logo nas primeiras horas desta guerra e que Donald Trump procurou acusar o Irão dessa mortandade mas que de imediato ficou provado terem sido os EUA...
Perante este quadro, dificilmente se verá o fim da guerra em breve e esse parece ser também o entendimento dos mercados petrolíferos, que já não reagem epidermicamente aos anúncios de paz iminente do Presidente norte-americano, mantendo o barril, o de Brent, muito acima dos 110 USD...
Ainda sem que se saiba quem são os "novos líderes" com que tem dito estar a falar nos últimos dias, aquele que os media norte-americanos apontam como sendo esse "dirigente fantasma", o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, repete diariamente que "não há nenhumas conversas a decorrer com os EUA directamente".
O Irão também já deixou claro que espera uma invasão terrestre dos EUA ao país, seja ela parcial, delimitada ao Estreito de Ormuz, ou às ilhas na região, ou a Ilha de Kharg, mais a norte, no Golfo Pérsico.
E a chegada constante de navios com forças militares especializadas em ocupações de pontos estratégicos, como a Força Expedicionária dos Marines, ou a 82ª Brigada Aerotransportada (Paraquedistas), além de milhares de soldados de infantaria ás bases dos EUA na região do Médio Oriente, é uma quase certeza quanto ao avanço terrestre sobre o Irão.
Esta guerra dificilmente estará para acabar em breve.















