Nessa mesma publicação, o Presidente dos Estados Unidos da América garante que a destruição será de tal ordem que a civilização iraniana "nunca mais vai regressar" das cinzas que dela restarem.
Ainda no mesmo texto, onde Donald Trump demonstra uma fúria e raiva nunca vistas num líder de uma grande potência desde as delirantes e beligerantes ameaças de Adolf Hitler à frente da Alemanha nazi nas décadas de 1930 e 1940, alerta que, apesar de "não o querer fazer", avança que "o mais certo é ir mesmo fazê-lo".
Pelo meio da sua estranha publicação, o Presidente norte-americano diz esperar que "algo de revolucionariamente maravilhoso possa suceder" para evitar apertar no botão que fará evaporar a civilização iraniana em "poucas horas", mas diz que "só esta noite se descobrirá".
Disse que está a chegar, logo à noite, a partir da meia noite em Washington, já 05:00 de quarta-feira, 08, em Luanda, "um dos momentos mais importantes na longa e complexa história do mundo" que culminará com o fim de 47 anos, o tempo de duração da República Islâmica do Irão, de "extorsão, corrupção e morte".
O Irão é o Estado que representa a civilização Persa, sendo uma das mais antigas e contínuas do mundo, com mais de 5.000 anos de história marcada pela fusão de povos como elamitas e arianos, formou impérios poderosos e possui uma identidade cultural persa distinta, com língua farsi, e uma longa lista de famosos matemáticos, poetas, escritores, arquitectos, escultores...
É hoje, apesar de estar sob pressão de sanções férreas internacionais, um dos países do mundo com maior percentagem de mulheres em cargos intermédios no Estado, uma população feminina universitária elevada, apresenta indicadores nas tabelas do IDH do PNUD largamente superiores aos dos Estados Unidos e de muitos países europeus.
Contudo, apesar deste cenário invejável para grande parte do planeta, o regime é dominado por clérigos, que gerem uma boa parte do país, embora o Presidente seja eleito democraticamente de 4 em 4 anos, partilhando o poder com o Líder Supremo, actualmente o aiatola Ali Mojtaba, que substitui Ali Khamenei, morto logo nas primeiras horas desta guerra.
O regime é ainda acusado no ocidente de manter um elevado número de presos políticos e de cercear as liberdades civis e individuais da sua população, que, com frequência, expõe nas ruas de Teerão a sua insatisfação.
Sobre as razões para Trump dar este passo, subindo o nível das ameaças para um patamar "nuclear", embora sem nunca referir a possibilidade de uso de uma arma atómica, vários analistas admitem que pode estar num beco sem saída.
É o caso de Daniel Davis, antigo coronel das forças armadas dos EUA, com várias missões no Médio Oriente, que já hoje, no seu podcast, sublinhou que tal gigantismo como objectivo só pode ser concebido com a opção nuclear em cima da mesa.
E Trump pode mesmo estar numa situação muito complexa e sem outra saída para esta guerra mesmo que queira dela sair de imediato, porque, como nota John Mearsheimer, um dos maiores especialistas mundiais em diplomacia e política internacional, "sem admitir a derrota, os EUA não têm como sair de cena".
Este professor da Universidade de Chicago, e autor de várias obras sobre conflitos e diplomacia globais, defende que a ausência de soluções resulta da falta de bom senso de Donald Trump ao longo deste processo ao deixar-se deslizar para um beco sem saída empurrado por Israel.
Porém, uma possibilidade seria Washington afastar-se de Telavive e apostar num processo negocial sólido em torno do Estreito de Ormuz, permitindo a Teerão manter um papel central na sua gestão, libertando o país das sanções e normalizando as relações bilaterais sem armadilhas nem deceções.
Esta publicação de Donald Trump é tão bizarra que a Al Jazeera tem há mais de duas horas esta imagem, a mesma que o Novo Jornal tem no lugar da fotografia, no seu ecrã do canal em lingua inglesa.











