A notícia de que Benjamin Netanyhau, 76 anos (na foto), tinha sido atingido por um míssil hipersónico iraniano quando estava no seu abrigo em Telavive, foi avançada em primeira instância pela agência de notícias iraniana TASNIM.
Rapidamente esta notícia não confirmada da agência de notícias semioficial iraniana incendiou as redes sociais, onde se manteve por quase dois dias antes de chegar aos media tradicionais na forma de desmentido citando fontes oficiais israelitas.
Porém, nem nos vídeos que era hábito produzir quase diariamente antes da guerra começada contra o Irão pela coligação israelo-americana a 28 de Fevereiro, entrando esta quarta-feira, 11, no 12º dia, igualando o tempo da "guerra dos 12 dias" de 2025, nem em deslocações públicas, se vê Netanyhau há cinco dias consecutivos.
Também com desmentido da sua morte ou estado grave de saúde encontra-se ausente do espaço público Itamar Bem Gvir, o ministro da Defesa israelita, e ainda o irmão do primeiro-ministro, Iddo Netanyhau, que nas redes sociais se insiste ter sido apanhado por um projéctil iraniano quando estava em casa de Benjamin Netanyhau.
Oficialmente todos estão vivos e oficialmente a trabalhar normalmente, mas fora do espaço mediático ou público há demasiado tempo quando, em situações semelhantes, os líderes sob este tipo de suspeitas apressam-se a surgir em público para acalmar as populações.
Situação semelhante está a acontecer com o novo Supremo Líder do Irão, Mojtaba Khamenei, de 56 anos (na foto), eleito na segunda-feira,09, sucessor do seu pai, Ali Khamenei, morto aos 86 anos no primeiro dia de guerra, Sábado, a 28 de Fevereiro.
É que, apesar de ter sido eleito pelo colégio de 88 clérigos, Mojtaba Khamenei ainda não foi visto em público desde então, havendo rumores a correr nas redes sociais, tal como acontece com Benjamin Netanyhau, há vários dias, de que estará morto ou gravemente ferido.
Também isso foi desmentido semioficialmente, através de Yousef Pezeshkian, filho do Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, numa publicação na rede social Telegram, onde garante que o Supremo Líder "está vivo e de boa saúde", sem, todavia, aparecer em público para o confirmar.
Noutras plataformas, a justificação para esta ausência de actividade pública de Mojtaba Khamenei é justificada com o facto deste ter sido ferido no momento em que o seu pai, mãe, irmã e filha, menor, de seis anos, foram mortos a par de cerca de 40 figuras de topo na hierarquia militar do Irão.
E não aparece em público por, alegadamente, estar a recuperar desses mesmos ferimentos. Embora tal não seja possível de confirmar directamente, numa alusão feita pela televisão estatal iraniana, a IRIB, este é apontado como um "ferido veterano da guerra do Ramadão", o período mais importante do ano religioso no Islão que está precisamente a decorrer de 17 de Fevereiro a 19 de Março.
Sobre esta soma de suspeitas sobre o estado de saúde dos líderes iraniano e israelita, alguns analistas apontam outro tipo de justificação.
Tanto Mojtaba Khamenei, que tem sobre a sua cabeça a promessa norte-americana e israelita de que será abatido na primeira oportunidade, como Benjamin Nertanyhau, sobre quem Teerão não hesitaria a assassinar se a oportunidade surgir, estão a evitar expor-se ao risco.
Isto, porque, segundo os mesmos analistas, com a supressão confirmada dos principais radares de longa distância americanos que estavam posicionados nas bases dos EUA nos países do Golfo, Israel deixou de ter conhecimento antecipado dos misseis hipersónicos disparados pelo Irão que atingem Telavive em escassos minutos voando a mach 10-15, equivalente a 10 a 15 vezes a velocidade do som.
E o novo Supremo Líder do Irão, sabendo que não possui capacidade de suprimir os ataques aéreos, misseis ou através da aviação de longo alcance, e tem a cabeça a prémio, ao contrário do seu país, que optou por enfrentar o perigo, estará protegido em locais seguros.
Isto, quando o mundo assiste com forte expectativa aos primeiros passos, ainda curtos para uma paz que está distante, tanto dos EUA como do Irão, depois de Donald Trump ter, na terça-feira, 10, afirmado que o conflito está muito próximo de acabar, metendo o Presidente russo Vladimir Putin, a quem ligou nesse mesmo dia, na condição de mediador.
E também o Irão, através do secretário do Conselho Nacional de Segurança, general Ali Larijani, que é reconhecidamente uma das figuras que nesta fase de transição comandam o país, veio lembrar, no X, que o Estreito de Ormuz pode ser uma "passagem para a paz e prosperidade ou um estreito de derrota e sofrimento para os amantes da guerra".
Ao mesmo tempo que este convite claro de Larijani a Washington para fazer do Estreito de Ormuz, por onde passam, do Golfo Pérsico para o Oceano Índico, e daí para o mundo, 20% do crude e do gás mundiais, uma "passagem de paz", o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, já colocou como condição para um cessar-fogo a paragem imediata dos ataques israelo-americanos ao Irão e garantias sólidas de longo termo de que não se repetem os ataques.
Uma clara indicação de que algo de positivo está a emergir deste conflito que já está no seu 12º dia, e que poderia ficar, se acabasse hoje, conhecido como a "segunda guerra dos 12 dias", é que, apesar de no terreno nada ter mudado (ver links em baixo), os ataques mútuos persistem, o Estreito de Ormuz mantém-se fechado e os países do Golfo Pérsico ainda não retomaram as suas produções, total ou parcialmente, os mercados petrolíferos estão quase quase... normais.
Com efeito, depois do frenesi que levou o barril aos 120 USD, no caso do Brent, na segunda-feira, 09, já nesta quarta-feira, 11, este valor desceu vertiginosamente para os 88 USD, embora tenha estado nos 83 USD na manhã de ontem.











