Este programa, que consiste na transferência directa de valores monetários para as camadas mais vulneráveis da população, já beneficiou, segundo dados disponíveis, mais de um milhão de agregados familiares, nestes últimos cinco anos.
Na realidade, o Kwenda "ofuscou" ou fez esquecer outros programas sociais, sobretudo o PIIM (Programa de Integração e Intervenção nos Municípios) que tinha sido apresentado como uma espécie de "milagre social", que iria revolucionar a vida de milhões de angolanos nos municípios, sobretudo os mais carentes em matéria de infra-estruturas.
A ruidosa máquina de propaganda governamental que, num passado recente, elevou em demasia a fasquia de expectativas do PIIM, tem dado sinais de ter esfriado ou abrandado o seu entusiasmo.
Embora o Executivo não tenha reconhecido o fiasco do PIIM, o facto é que este programa, que tinha, dentre outros objectivos, materializar as acções de Investimento Públicos (PIP), de Despesas de Apoio ao Desenvolvimento (DAD), de modo a inibir o êxodo rural, tem vindo a revelar-se um fracasso.
Quem tem acompanhado as intervenções das distintas figuras do Executivo, sobretudo do titular desse órgão tem notado, nos seus discursos, quase nenhumas ou nulas referências ao PIIM.
As informações que chegam de diversos pontos do país sobre este programa dão conta da paralização de várias obras, nomeadamente escolas e centros de saúde, por falta de liquidez, ausência de equipamentos e materiais de construção, ou o seu abandono por parte dos empreteiros, ou ainda por dívidas não honradas pelo Estado.
As estradas, que deveriam facilitar a livre circulação de pessoas e bens, continuam degradadas ou praticamente intransitáveis, mormente no período chuvoso.
Um dos fiascos do PIIM pode ser aferido pelos números, cada vez mais elevados, de populares, sobretudo jovens que abandonam o campo em busca de melhores condições de vida nos centros urbanos para, dentro outras tarefas, exercerem a actividade de moto-taxistas.
Hoje, as baterias dos órgãos de comunicação social, sobretudo estatais estão viradas para o Kwenda, não se cansando de tecer os mais rasgados elogios ao programa assistencial, como se o mesmo fosse a "solução mágica" para a miríade de problemas sociais quando, na realidade, não passa de um paliativo para atenuar a dor dos mais necessitados.
Com os seus habituais excessos, as rádios, televisões e redes sociais têm apresentado o Kwenda como o melhor programa social gizado pelo Executivo nestes últimos 50 anos de governação.
Já li algures que o Kwenda é o melhor programa de assistência social às camadas mais desfavorecidas em África e que o mesmo deveria exportado para outras realidades.
No entanto, os órgãos de informação públicos, em vez de se limitarem ao mero exercício de propaganda do Kwenda, deveriam apurar, se era melhor fornecer insumos aos camponeses do que dinheiro. Há relatos preocupantes de que vários camponeses, sobretudo mulheres estão a abandonar a actividade agrícola para se dedicarem única e exclusivamente ao comércio de bens agrícolas. Cada comerciante que o campo ganha é menos um braço agrícola que se perde.
Ainda há dias, o comentador residente da TV Zimbo, Bali Chionga, disse que o Kwenda tem estado a "estancar a fome", tendo o seu pronunciamento, que não corresponde à verdade, causado alguma indignação no espaço público, sobretudo nas redes sociais.
Em sentido contrário à propaganda ruidosa da mídia governamental em torno do Kwenda, para não dizer as Fakes News , assiste-se no dia-a-dia que passa a um número cada vez mais crescente
Os órgãos de informação públicos, em vez de se limitarem ao mero exercício de propaganda do Kwenda, deveriam apurar, se era melhor fornecer insumos aos camponeses do que dinheiro. Há relatos de que vários camponeses, sobretudo mulheres, estão a abandonar a actividade agrícola para se dedicarem ao comércio de bens agrícolas de pobres, de pessoas a cirandar os contentores de lixo em busca de restos de comida para forrar os estômagos. Há cada mais descamisados a arrastarem penosamente pelas ruas das cidades, como se não tivessem rumo.
Os números frios dos relatórios de diversas organizações internacionais não têm sido animadores em relação ao nosso país.
No ano passado, um estudo feito pela Organização Não Governamental "World Poverty Clock" concluiu que a pobreza extrema em Angola cresceu 82% nos últimos oito anos, passando de 6,4 milhões de pessoas que, em 2016, representava 22% da população, para 11,6 milhões em Janeiro de 2025, o equivalente a 31% da população.
Este cenário descrito como "alarmante" foi apontado pela pesquisa como sendo o resultado do fraco desempenho económico, da ineficácia das políticas públicas na última década e uma explosão demográfica que continua a agravar a situação, "embora comece a mostrar sinais de desaceleração". A esses elementos deve-se acrescer os elevados índices de corrupção e excessiva burocratização.
Convém lembrar que Angola possui uma das mais elevadas taxas de natalidade em África, estando o crescimento económico aquém do crescimento da população.
O estudo coloca Angola num grupo de seis países africanos que integram uma lista de 12 países do mundo que continuam a registar um aumento exponencial do número de "novos" pobres como são os casos da República Dominicana, Colômbia, Venezuela, Gâmbia, Nigéria, Zimbábue, Sudão, Sudão do Sul, Eritreia, Iémen e Afeganistão.
Trata-se de países, segundo a pesquisa, onde existem mais pessoas a viver com rendimentos abaixo doa 2 dólares/ dia do que aquelas que conseguem sair dessa condição.
Em relação à Angola as taxas de pobreza são também atribuídas a "uma recessão económica prolongada, resultado da crise petrolífera e da queda dos preços do barril após 2014, que durou cinco anos e aos efeitos da pandemia de Covid-19, que se manifestaram entre Fevereiro de 2020 e meados de 2022".
A intenção de mitigar o impacto das políticas económicas até pode ser bem intencionada, mas isso não deveria orgulhar um país, visto que o grosso do dinheiro que tem servido o Kwenda foi tomado de empréstimo ao Banco Mundial (BM).Significa que esse dinheiro terá, cedo ou tarde, de ser pago com juros, que serão agravados se forem de mora.
Dito de outro modo, os kilapes irão, desgraçadamente, sobrar para as gerações vindouras, pois serão elas a pagar a pesada factura.
Acredito que o recurso ao crédito ao estrangeiro seria menor se as tão propaladas políticas de austeridade não fossem apenas consentidas pelo povoleu, que não tem outra saída, senão apertar os cintos, quase a comer as fivelas...
Com a mão direita, o Executivo pede ao povo sacrifícios, mas com a mão esquerda gasta que se farta. Continuamos a ter um Executivo gorduroso, embaixadas e consulados que consumem uma fortuna do erário; os detentores de cargos políticos não têm tido a menor " preguiça" em "queimar " o kumbu em viagens ao estrangeiro e aquisição de viaturas do topo de gama.
Continuamos a ter uma Presidência da República que consume uma fatia significativa do OGE, que recorre, volta e meia, ao crédito internacional para suportar as crescentes despesas, dentre as quais as múltiplas viagens do Chefe de Estado ao estrangeiro, mas com poucos resultados tangíveis na captação do investimento estrangeiro.

