Adalberto Costa Júnior, antecipando a inevitabilidade de uma mudança de partido ou partidos no poder, ao fim de 50 anos de Angola sob comando do MPLA, faz questão de garantir que esta proposta não contempla quaisquer alterações ao calendário eleitoral.
De fora do seu pacto de transição, o líder da UNITA diz que ficam todos e quaisquer interesses pessoais dos actuais governantes, e da oposição, aludindo antes a uma "proposta patriótica de estabilidade e não de ruptura".
"O Pacto de Transição não é um instrumento de ruptura. É uma proposta patriótica de estabilidade. Não é um mecanismo de exclusão. Não é uma ameaça à ordem constitucional. Não adia eleições, nem negoceia interesses", disse o líder da UNITA, numa cerimónia de cumprimentos de ano novo.
Esta proposta na forma de pacto, na opinião do principal líder da oposição em Angola, é pelo contrário, "um compromisso com o direito, com a estabilidade pós-eleitoral, uma garantia de harmonia capaz de expurgar os medos".
"Propomos um entendimento nacional mínimo que sugere a transparência e credibilidade do processo eleitoral de 2027, reformas institucionais consensuais que reforcem a separação de poderes, garantias de neutralidade da administração pública e compromisso com a paz social e com a estabilidade económica, durante o período eleitoral e pós-eleitoral", acrescentou.
Segundo Adalberto Costa Júnior, a alternância democrática não deve ser encarada como um risco, mas como um mecanismo saudável de renovação política, previsto nas democracias modernas e indispensável à vitalidade das nações.
"O ano de 2026 deve ser o ano da responsabilidade democrática. O ano do compromisso nacional. O ano da preparação serena de uma transição segura, estável e constitucional", defendeu, garantido que, "Angola não precisa de medo, mas de confiança e maturidade política".
Adalberto Costa Júnior denunciou haver organizações políticas que levam a cabo uma campanha alegando que o partido foi "vendido", embora sem especificar.
E apontou que Angola continua sem um horizonte para a materialização das autarquias locais e o OGE continua a não prever a realização de eleições locais, que todos os angolanos esperam ver realizadas.
"O OGE de 2026 também não tem nenhuma alínea relativa aos múltiplos aspectos relacionados à reconciliação nacional e aos pendentes dos acordos de paz. Estas alíneas desapareceram completamento da agenda política e estas questões são cruciais. Sem qualquer dúvida que a sua conclusão contribuirá para a estabilidade e a coesão nacionais", mencionou.
O presidente da UNITA defende a necessidade de reforçar a confiança nas instituições que participam directamente no processo eleitoral, no caso, da Comissão Nacional Eleitoral e os tribunais, em especial o Tribunal Constitucional que em Angola faz a vez do Tribunal Eleitoral.

