Com mais uma visita que alguns analistas descrevem como sendo, como sempre, cordial, mas com o Presidente norte-americano à beira de um ataque de nervos, o chefe de Governo israelita está em Washington com um único objectivo: a guerra EUA/Irão.

Com um histórico recente repleto de violência no Irão, como pode ser revisitado nos links em baixo nesta página, num ano que começou com os protestos fabricados a partir do exterior pela Mossad e pela CIA em Teerão, Netanyhau visa "matar" dois coelhos com um só tiro.

Fragilizar o Irão através de uma guerra sem o envolvimento de Israel, usando, para isso, as forças norte-americanas, de forma a que, depois, já desvitalizado, o país possa ser alvo de uma intervenção israelita que acabe o serviço com uma mudança de regime em Teerão.

Esse era, pelo menos, de acordo com vários analistas, como John Mearsheimer, um dos mais prestigiados especialistas em geopolítica e professor da Universidade de Chicago, o objectivo dos estrategas israelitas, mas os recentes recursos de Trump, motivados por questões de política interna, parecem estar a exigir uma mudança de planos.

Isto, porque, com a idade a avançar, já com 76 anos, e problemas sérios com a justiça no seu país, Netanyhau parece querer sair de cena deixando como legado a extinção da "ameaça" iraniana, e, se não for, com a guerra, que seja com as negociações de permeio.

O que significa que o líder israelita foi a Washington convencer, aparentemente com sucesso, Trump a não desligar das negociações com o Irão, centradas no seu programa nuclear, a questão do desenvolvimento dos seus sistemas de misseis balísticos hipersónicos, e o apoio de Teerão aos seus "proxys" no Médio Oriente, desde o Hezbollah no Líbano aos Houthis, no Iémen.

Como recordou recentemente Jacques Baud, antigo oficial da intelligentsia suíça e da NATO, e autor de vários livros sobre as crises no Médio Oriente, se Israel conseguir que Donald Trump imponha esta lista de temas para negociar com o Irão pela força abrasiva de um ataque militar contra Teerão, então está desenhado o percurso para a desvitalização da capacidade de reacção militar iraniana.

O que, a ser concretizado, se o Governo iraniano aceitar essas condições, desmantelar o seu programa nuclear, reduzir até à inoperacionalidade dissuasora os seus sistemas de misseis e abandonar os seus aliados regionais, Israel terá como que uma passadeira vermelha para chegar a Teerão e provocar, sem oposição efectiva, uma mudança de regime, como é pretendido há décadas por Telavive.

Esse parece ser o caminho que Trump aceitou seguir após mais uma conversa com Netanyhau e os seus conselheiros na Casa Branca esta quarta-feira, 11, como fica claro depois do norte-americano ter anunciado o envio de mais uma Armada liderada por um segundo porta-aviões para o Médio Oriente.

Isto, que acaba de ser confirmado pelo The Wall Street Journal, sabendo-se que o USS Abraham Lincoln, escoltado por uma dezena de navios de guerra, já está posicionado nas imediações do Golfo Pérsico, além das centenas de aviões de guerra no mar e nas bases dos EUA espalhadas pela região, faz com que as tensões subam de nível.

E isso mesmo surge confirmado com a percepção que também existe de uma escalada nas tensões entre os analistas dos mercados petrolíferos, evidenciado pelo facto de o barril de crude Brent já estar nos 70 USD, numa subida substantiva e persistente nos últimos dias sublinhando assim o sentimento de risco vigente.

Esta escalada acontece imune às repetidas garantias do Irão, especialmente pela boca do seu Presidente, Massoud Pezeshkian, e ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, de que Teerão não quer nem pensa atacar Israel, não quer nem pretende ter uma arma nuclear e que os seus sofisticados sistemas de misseis têm como função garantir a dissuasão para eventuais ataques quer dos EUA, quer de Israel.

Isto, ao mesmo tempo que ambos, no que são acompanhados pelo Líder Supremo aiatola Ali Khamenei, garantem que o Irão também está preparado para uma guerra aberta com os EUA se for atacado e que os alvos visados serão de imediato as bases e forças militares norte-americanas na região, bem como Israel e os países vizinhos que albergam as bases de Washington no Médio Oriente.

Um dos elementos dissuasores do Irão, além dos seus misseis balísticos hipersónicos, que já provaram a eficácia em Junho de 2025, na "guerra dos 12 dias", perfurando com surpreendente facilidade os sistemas de defesa anti-aérea israleitas, até então vistos como inexpugnáveis, é a destruição da infra-estrutura petrolífera no Golfo Pérsico, incluindo da Arábia Saudita, e o fecho do Estreito de Ormuz, por onde passa quase 40% do crude e mais de 20% do gás consumido no mundo.

Tal cenário é aterrador para os interesses de Donald Trump, que já está a braços com uma gigantesca crise de inflação e desemprego, e com o barril de crude a poder disparar para lá dos 100 USD, isso significaria uma certa e segura derrota nas eleições intercalares de Novembro, onde está em vias de perder as maiorias no Senado e na Câmara dos Representantes, do Congresso.

Além disso, que seria politicamente um desastre para o seu Partido Republicano, também pessoalmente seria trágico, porque sem as maiorias actuais, e com o escândalo de pedofilia internacional denominado "Ficheiros Epstein", onde o seu nome surge milhares de vezes citado, com vídeos e fotografias comprometedoras, dificilmente escaparia a um processo de destituição (impeachment) no Congresso.

Há, porém, sinais de que estes riscos podem não ser suficientes para Trump evitar que os EUA ataquem o Irão, o que provaria o imenso poder do lobby israelita em Washington, que é a divulgação pela Associated Press de que o Pentagono ordenou a retirada de todas as suas forças da base de Al-Tanf, na Síria, onde desde 2016 manteve um forte contingente.

E a razão avançada pela agência de notícias norte-americana é que Washington negociou com Damasco a passagem da base para as forças sírias, mas, segundo fontes citadas em alguns canais de análise militar nas redes sociais, a retirada deve-se à difícil defesa desta base em caso de ataque iraniano ou dos seus proxys regionais.