Este julgamento que arrancou no dia 15 de Janeiro último, na 7ª secção do Tribunal da Comarca de Luanda, surge repleto de peripécias, como pode ser revisitado nas notícias do Novo Jornal, em baixo nesta página, é o maior escândalo financeiro de sempre em Angola, envolvendo mais de 100 mil milhões Kz desviados da AGT.

Após ter sido suspenso por oito dias, o julgamento retomou esta quarta-feira, na sala emprestado do Tribunal Supremo, e ficou marcado pelas contestações dos advogados dos arguidos arrolados no processo.

Os causídicos entendem que o processo está cheio de irregularidades, que devem ser sanadas e que a acusação é muito débil para trazer os acusados a julgamento.

Segundo os advogados, a acusação do Ministério Público (MP),apesar da grandeza deste mediático julgamento, é genérica e não descreve como, nem onde, os arguidos cometeram os crimes de que são acusados.

Os advogados, que agora têm acesso ao processo, entendem que não há provas para julgar os arguidos, daí pedirem a nulidade do processo.

Bangula Quemba, um dos advogados no processo, disse ao Novo Jornal que os arguidos vão poder refutar, agora, as acusações do MP em sede da produção de prova.

Sérgio Raimundo, também advogado no processo, assegura que, consultado o processo, não há de facto provas incriminatórias para os arguidos, daí pedirem que o tribunal invalide o processo.

O julgamento, que começou às 09:30, terminou por volta das 18:30, desta quarta-feira, devendo retomar esta quinta-feira com o iniciou da fase de produção de provas.

O processo sob registo nº 1954/25-C, tem mais de 36 mil páginas e envolve 30 arguidos singulares e seis empresas, sendo que 20 arguidos estão em prisão preventiva e 16 soltos.

A acusação diz que os mesmos defraudaram o Estado angolano, através dos reembolsos fraudulentos na Administração Geral Tributária de Angola (AGT), num prejuízo superior a 100 mil milhões de kwanzas.

O PCA da Administração Geral Tributária (AGT), José Leiria, figura na lista de 32 testemunhas arroladas no processo.