Apresentada no calor dos protestos de jovens que clamam por casa própria, com a degradação do condomínio Acácias Rubras a sustentar as críticas, a urbanização Lagarto, no município dos Navegantes, constitui o novo ente de uma política habitacional cheia de fracassos, num dos casos ligados à suspensão da construção de moradias para milhares de famílias em zonas de risco. Quis o destino que este programa de auto-construção dirigida, o primeiro passo para 10 mil lotes de terrenos em toda a província, chegasse ao público com dezenas de cidadãos desalojados em consequência das calemas nos bairros Goa, Kapiandalo e Cawango.
Contrariamente ao modelo para a urbanização Lagarto, já com 388 lotes disponíveis, seria o Estado a construir 1.500 casas, como definido depois da tragédia de Março de 2015 (quase cem mortos devido às cheias), mas o plano ficou pelas duas habitações-modelo. Neste pacote, importa sublinhar, haveria espaço para as famílias a desalojar do bairro Matadouro, pelo qual passará grande parte do projecto de extensão da Marginal da Praia Morena. As zonas altas do Lobito e Catumbela, as mais afectadas na altura da catástrofe que forçou a construção da urbanização dos Cabrais, são outros pontos com cidadãos em áreas de risco. Bem antes da construção das casas-modelo, um outro programa, também para a auto-construção dirigida, acabou por «morrer à nascença». Trata-se do Benguela Sul, ainda hoje, dez anos após o lançamento, envolto em polémica por suposta burla. Atraídos pelas promessas de infra-estruturação com redes para água e energia, arruamentos e saneamento básico, vários munícipes efectuaram pagamentos de 27 mil Kwanzas por um lote de terreno, mas nunca chegaram a receber o espaço.
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