Com esse risco em crescendo, os mercados petrolíferos não deixam passar a oportunidade para mexer nos gráficos que medem o comportamento neste negócio global, seja onde for a sua geolocalização, mas em tratando-se do Médio Oriente...
... a resposta é ainda mais acelerada, não fosse ali que está mais de 35% das exportações de petróleo que é queimado diariamente pela economia mundial.
E acresce a isso o facto de o Golfo Pérsico, onde ruboresce o Irão, com mais de 3,5 mbpd, e a Arábia Saudita, que garante mais de 11 mbpd, é o epicentro deste terramoto geopolítico com a iminência clara e inequívoca de um ataque norte-americano a Teerão.
Além de não se poder afastar totalmente a possibilidade de os EUA visarem a infra-estrutura petrolífera do Irão, embora o "main event" esteja marcado para a infra-estrutura nuclear e os sistemas de produção de misseis balísticos, em risco está uma ruptura total do fornecimento desta região com o eventual fecho do Estreito de Ormuz.
Além disso, uma retaliação iraniana, cujos alvos preferenciais já anunciados, serão as bases e os meios navais dos EUA na região, pode muito bem, como não escondem vários analistas, incidir sobre a produção energética dos aliados de Washington no Médio Oriente.
E não é que não existam outros factores de risco para o sector, como as evidências actuais de um excesso de produção crescente, mas o risco de um conflito entre Irão e EUA/Israel sobrepõe-se claramente a tudo o resto.
E é por isso que esta quinta-feira, 29, o barril de Brent se alcandorava, perto das 14:40, hora de Luanda, nos 70,35 USD, uma subida superior a 2,3 %, um valor recorde de quase seis meses, apenas visto a 01 de Agosto de 2025 por algumas horas, sendo o anterior pico semelhante apenas encontrado a 23 de Junho do ano passado.
Para Angola, que atravessa uma grave crise económica, com forte incidência cambial, fruto da dependência das exportações de energia para obter divisas, representando o crude ainda mais de 90% das suas exportações, este cenário é uma "bênção".
E isso, porque o OGE 2026 foi elaborado com base no valor médio anual de 61 USD por barril, o que, para já, garante um importante superavit para aconchegar as contas públicas nacionais.

