É a segunda visita que o chefe do Governo israelita faz aos Estados Unidos em pouco mais de um mês, sendo o tema em agenda o mesmo de 29 de Dezembro, que é o Irão e o desejo que Netanyhau tem há décadas de ver os EUA numa guerra aberta com os iranianos.

E quando o líder israelita se encontra com Trump, algo acontece no Médio Oriente, como aconteceu logo a seguir à sua visita aos EUA em finais de Dezembro, com uma escalada de protestos populares nas ruas de Teerão, naquilo que foi, afinal, um plano bem gizado para levar a uma mudança de regime.

Recorde-se que o que começou como protestos devido à crise económica foi, sabe-se hoje, resultado de um plano que envolveu a CIA e a Mossad israelita, de atacar a moeda iraniana, o Rial, que caiu quase 50% em dias.

A isso seguiu-se a provocação planeada das forças de segurança iranianas através de largas centenas de provocadores infiltrados no país pela intelligentsia israelita e norte-americana, com o objectivo de levar a um levantamento popular caótico.

E foi isso que aconteceu, não apenas com o caos a varrer as ruas das grandes cidades iranianas entre 01 e 10 de Janeiro, como pelo caminho foram mortas entre, depende das fontes, mil a 3.000 pessoas, cenário suficiente para Donald Trump ameaçar Teerão com um ataque militar de grande escala.

Trump apelou, naquilo que foi planeado antecipadamente, aos iranianos para se revoltarem contra o regime iraniano prometendo que "a ajuda está(va) a caminho", o que na altura foi visto como o preâmbulo de um ataque militar norte-americano ao Irão.

E para fundamentar essa possibilidade, ao longo dessas semanas, Trump enviou para a região dezenas de navios de guerra (ver links em baixo) comandados por porta-aviões, ao mesmo tempo que as dezenas de bases regionais recebiam reforços em aviões e sistemas de defesa antiaérea.

Sabe-se também hoje que o ataque norte-americano, frustrando os planos de Benjamim Netanyhau, foi cancelado in extremis, embora as razões não sejam conhecidas, mas coincidindo com as garantias de Teerão sobre uma resposta devastadora sobre Israel e sobre as bases americanas na região.

Ao mesmo tempo, os analistas apontavam para a possibilidade de o Irão atacar igualmente as infra-estruturas petrolíferas dos países do Golfo Pérsico, que garantem quase 40% do crude consumido no mundo e o fecho do Estreito de Ormuz, o que, a suceder, seria uma tragédia económica para os EUA com o barril a escalar para valores recorde nunca vistos.

Há, contudo, outra leitura a ser defendida cada vez mais nos canais de análise militar nas redes sociais, que passa por estar em curso uma estratégia semelhante à que os EUA usaram Junho de 2025.

Nessa altura, quando teve lugar a guerra dos 12 dias entre israelitas e iranianos, os EUA lançaram, a 22 de Junho, um ataque fulminante com os seus poderosos bombardeiros estratégicos B-1 sobre as infra-estruturas nucleares iranianas quando nada o fazia esperar porque estava agendada para o dia seguinte ao do ataque uma ronda negocial sobre precisamente o programa nuclear iraniano.

E, agora, aquando voltam a estar reunidas as mesmas circunstâncias, com a visita de Netanyhau a Donald Trump, com as negociações entre EUA e Irão, sobre o programa nuclear iraniano, a decorrer, esperando-se nova ronda de conversações para breve...

... e quando se sabe que as bases militares que os norte-americanos possuem no Médio Oriente, que são dezenas, estão a ser reforçadas com sistemas de defesa antimíssil THAAD, os mais sofisticados do arsenal dos EUA, e Patriot...

... e com os meios navais presentes nas mares da região a posicionarem-se estrategicamente para melhor lidar com eventuais ataques com misseis antinavio iranianos...

... tudo vai depender de Netanyhau, que conta com a ajuda do seu principal aliado no Senado do Congresso dos EUA, Lindsey Graham, companheiro de longa data de Trump que apela publicamente a um ataque ao Irão, consegue convencer o Presidente norte-americano a avançar mesmo para uma guerra com Teerão.

E é tanto assim que já ninguém esconde que algo de grande e perigoso está a acontecer, porque até a Associated Press, a agência de notícias norte-americana noticia esta terça-feira, 11, que Netanyhau vai a Washington para convencer Trump a "aumentar a pressão" sobre o Irão.

A agência lembra que Israel tem um longo historial de usar a questão do enriquecimento de urânio pelo Irão como ferramenta de pressão sobre os EUA para agirem militarmente contra o regime dos aiatolas.

Acrescentando agora o problema dos sistemas de misseis com que o Irão garante a contenção ocidental devido à sua comprovada eficácia na guerra dos 12 dias, quando trespassou com surpreendente facilidade, usando sofisticados projecteis balísticos hipersónicos, os famosos e até aí vistos como inexpugnáveis, sistemas de defesa antiaérea israelita.

Além disso, a travar as possibilidades de Netanyhau convencer Trump a ordenar o ataque ao Irão, estão as provas de que a China e a Rússia deixarem de lado os pruridos e começaram a apoiar às claras Teerão, não apenas com apoio na área da intelligentsia, como o fazem com o fornecimento de aviões de guerra modernos e sofisticados sistemas de defesa antiaérea e os radares conexos.

Além disso, tanto o Líder Supremo do Irão, aiatola Ali Khamenei, como o moderado Presidente do país, Massoud Pezheskian, têm insistido que qualquer agressão dos EUA ou de Israel terá uma resposta na forma de "guerra total".

Os misseis iranianos terão como principais alvos Israel e as bases dos EUA na região, além de que desta vez também os países que permitirem o uso dos seus territórios, das bases norte-americanas aí existentes, para lançar ataques contra o Irão serão atacados.

Uma coisa certa desta vez é que nem Netanyhau nem Trump podem contar com o efeito surpresa dos ataques de Junho do ano passado, porque desta feita o Irão já avisou que está totalmente disponível para negociar de igual para igual com Washington mas sem tirar o dedo do gatilho.

O encontro de quarta-feira entre Benjamin Netanyhau e Donald Trump tem tudo para que dela saia uma decisão final sobre se o Médio Oriente se vai transformar num mar de chamas ou se, desta vez, as negociações são mesmo a sério e não uma forma de iludir a capacidade de resposta de Teerão.