Para o Irão, o cessar-fogo que estava em vigor no Golfo Pérsico, acordado com os norte-americanos em Abril, abrangia "todas as frentes" incluindo o conflito entre Israel e o Hezbollah, a organização xiita libanesa que se opõe há décadas à ocupação israelita.
Desde que o cessar-fogo foi estabelecido entre iranianos e norte-americanos, Israel nunca cumpriu a parte que lhe cabia no conflito libanês, embora tenha feito um acordo com o Governo de Beirute que deixou de fora o Hezbollah, um aliado de Teerão.
Esta retaliação iraniana, conduzida com vários projectéis balísticos de médio alcance, estava em pespectiva desde que Israel bombardeou o sul de Beirute nas últimas 72 horas por duas vezes, alegando estar a atacar alvos do Hezbollah.
Com esta reactivação do conflito com Israel, o Irão pode estar a dar ao primeiro-ministro Benjamin Netanyhau aquilo que ele queria, que era desmantelar o cessar-fogo entre Teerão e Washington.
Se esse desiderato foi conseguido pelo líder israelita depende agora do que for a reacção dos Estados Unidos, um aliado indefectível de Israel, embora o Presidente Donald Trump já tenha vindo dizer que o Irão deve acatar as condições para um acordo e parar os ataques.
E pouco depois, a Axios noticiava que o Presidente norte-americano tinha telefonado a Benjamin Netanyhau para lhe pedir para não retaliar de forma a não hipotecar as perspectivas de um acordo que "está iminente".
O que parece agora difícil de acontecer porque a IRGC, além dos disparos de misseis sobre Israel, já anunciou que se Israel insistir nos ataques no Líbano, as vagas de misseis serão mais intensas e mais abrangentes sobre o território israelita.
Isto, porque a IRGC, como tem insistido nestes quase dois meses de cessar-fogo, que a condição era que as hostilidades só seriam travadas se Trump "ordenasse" ao seu aliado em Telavive que travasse a invasão no sul do Líbano.
Ao que tudo indica, este ataque iraniano é uma acção limitada porque a Guarda Revolucionária iraniana anunciou igualmente que se trata de "um aviso" para o que pode vir a acontecer se Israel não mudar de curso no Líbano.
Um dos alvos dos misseis iranianos foi a Base Aérea de Ramat David, a cerca de 20 kms da cidade de Haifa, a maior cidade do norte de Israel, alegando que foi deste importante campo militar israelita que até agora organizada a operação militar no Líbano.
Segundo informações das Forças de Defesa de Israel (IDF), todos os misseis iranianos lançados este Domingo, 07, sobre o norte de Israel foram interceptados com sucesso pelos sistemas de defesa anti-aéreos embora já existissem vídeos a circular nas redes sociais com impactos registados no solo.
Todavia, apesar de ser um hábito e raramente ter consequências, o radical da extrema-direita ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, publicou no X que "Teerão tem de arder esta noite".
Facto é que as próximas horas serão de expectativa porque se em Washington Trump não travar Benjamin Netanyhau, como parece estar a tentar, é possível que a guerra israelo-iraniana volte a pegar fogo ao "capim seco" do Médio Oriente.
Para evitar o pior, a diplomacia paquistanesa, que tem sido mediadora entre Teerão e Washington, está em modo urgente, com contactos em curso com ambos os lados, EUA e Reino Unido, bem como o ministro dos Neg'ócios Estrangeiros do Irão, Abbas Aragchi, que, segundo os media iranianos, está ao telefone ininterruptamente há várias horas.









